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"Atrás de uma grande mulher há sempre um 'gago apaixonado' "
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Este poema () é uma resposta ao belíssimo poema "AS COISAS" do grande JORGE LUIZ BORGES a quem presto aqui minha humilde homenagem:
AS COISAS* Jorge Luis Borges
. A bengala, as moedas, o chaveiro,
A dócil fechadura, as tardias
Notas que não lerão os poucos dias
Que me restam, os naipes e o tabuleiro,
Um livro e em suas páginas a ofendida
Violeta, monumento de uma tarde,
De certo inesquecível e já esquecida,
O rubro espelho ocidental em que arde
Uma ilusória aurora. Quantas coisas,
Limas, umbrais, atlas e taças, cravos,
Nos servem como tácitos escravos,
Cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão muito além de nosso olvido:
E nunca saberão que havemos ido.
* em tradução de Ferreira Gullart
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MORTOS NÃO GOSTAM DE ABSOLUTAMENTE NADA
para Nadia XX
, mesmo no futuro do presente
encontro letras e angustias
riscadas nos muros
( e retorno sempre coberto com o musgo do tempo),
mas ainda assim manterei cada palavra
e cada beijo.
Manterei cada memória líquida deste amor
que procuro a deslocar-se aos
sustos próximo a mim
(diante da minha janela)
e que se faz inevitável ao olhar.
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Tuas palavras
(gritos e sussurros)
tenho-as ainda em mim
e ainda assim
me fazem tal falta,
de maneira que não há
sonhos nas noites,
você não está aqui
em minha cama
e meu coração te chama,
não ouves(?)
.
Sim eu sou um desses que
caminham à esmo pela noite,
um desses que um dia abjurou
diante do sinal vermelho
como quem abjura diante da lua
e nas mãos
( e a única mão constante
é a que cande presságios e as cores
ausentes das palavras feridas
entre a caligrafia e a pena)
trago este grito azul
que te envio nas asas de um querubim
e me devolves num cantar direito de criança.
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(recolho o grito)
.
Eu, agora um menino atrás do amor,
escalei a montanha
(the fool on the hill)
de lugar nenhum e chove
e corto a chuva com este grito azul
que trazia nas mãos e que rolou morro abaixo.
Pois cairei junto com a tempestade de estrelas.
estarei em cada rasgo deste céu noturno,
para que na manhã
ilumines parte de minha alma,
tu que pareces refletir a luz do sol.
Sei, já posso morrer,
mas mortos não gostam de chuva.
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A FLOR BRANCA DO AÇÚCAR
Leio Mandrake e Lothar.
Leio Fantasma,
me faz bem essa simplicidade deliciosa
do vulgar, do instante,
do nada.
Barba por fazer ,
só e suado
cheguei da rua
(Hancock e sua Cantaloupe Island me acompanham agora)
sinto o corpo a desistir
nada comi hoje.
Café, cigarros e
alguma bebida, apenas.
Agora
(de olhos fechados)
a recordar sorrisos e olhos, verdes,
que se desfazem na sombra,
passageiro da flor do AÇÚCar, serENA: AÇUCENA.
Desejando papoulas,
ou outra flor qualquer,
(flor do sêmem do enforcado, por exemplo,
colhida na noite de lua cheia,
arrancada à terra pelo cão negro,
evitando seu grito humano – demasiadamente humano –
e também assassino).
Da fée verte, desejando apenas
suas asas de mandrágora e sangue
e pintar o contorno de seu corpo
(ou),
desenhar
(no desenho um desígnio, abstrato e destrutivo)
à crayon o negro de sua pele clara (ou vice-versa),
o carvão dissoluto dos corpos adormecidos à sombra
do silêncio doloroso da eternidade.
Riscando na ardósia de seu corpo
estas letras
( também verdes )
que hão de desaparecer
no gesto efêmero da carícia.
“Quando acariciei o teu dorso,
campo de trigo dourado,
minha mão ficou pequena
como uma flor de açucena...”
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ENQUANTO ISSO
(NA CABINE DO “VAGÃO DORMITÓRIO”)
para Nadia XVIII
, pela janela do trem
revela-se uma paisagem
e as cores alongadas ( e o cheiro de sangue ) da ferrovia,
que reflete a luz do sol branco de outubro, e só.
Nunca dores nem casas de paredes caiadas
afogadas na dor,
apenas este deserto branco
e cadeiras de cana-da-índia
nas varandas.
.
O desespero estático em Mosul
e nas ruínas de Sírio
na cidade de Nínive *,
igualmente, nunca é revelado.
Tampouco
a Grande Mesquita Vermelha,
nem a Mesquita de Nabi Jarjis.
Ninguém sabe o que se passa no Iraque,
aqui apenas esta paisagem,
este cheiro e o sol branco...
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Você me adverte, eu paro para ver,
eu olho, não sei bem o que é...
Sim,
nosso trem
(de prata)
agora atravessava a noite.
E eu jurei sob aquela lua siderúrgica amar-te.
No sinal vermelho,
que levarei para sempre
como um sol tatuado no peito,
minha pobre mãe chorou comigo ao telefone,
e meu coração
cigano não via razão
naquele destino moldado pelo sentimento
(“sentimentos são como
lesões com nossa própria arma,
desencorajando-nos de tudo” acreditava então).
E para você eu ainda não tinha um nome,
nem endereço, nem telefone.
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Ainda hoje procuro desvendar o enigma
(em nosso pequeno e
confortável jardim de inverno)
que enganou meus passos.
Sim, continuaremos a viajar
para encontrar nas letras desta
dignidade rasgada,
um amor que possa ser escrito
sossegadamente
nestas paredes caiadas lá fora.
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* “E aqui em Nínive já observei / Mais de um cantor passar e ir habitar / O horto sombrio onde ninguém perturba / Seu sono ou canto.” Ezra Pound
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TEU NOME
para Nadia XVI
Neste cenário impossível
que é teu corpo,
à sombra das letras rubras do teu nome
(plenas de inquietude),
desejos
são jogos flamejantes.
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CANÇÃO A UMA MESA NUM CANTO para Nadia X , no canto uma mesa desocupada, palpites e carícias. Sentamos ali, o rio do tempo, incólume escoano verão, lá fora. Eu calado te desejando consideravelmente(vestida de vermelho)tua(s) bela(s) boca(s). Bebes da taça rubra agorasem julgamentos e tão próxima. Eu não como, tampouco bebo, apenas murmuro a cançãodo nosso amor no futuro do presente,naquela mesa do canto. E as begônias ( que te dei ) te invejam ainda.
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AINDA HÁ UM SONHO, SIM AINDA HÁ
para Nadia XI
, no negro da foto evasiva
teu sorriso branco
é um poço e igualmente um mistério
e nele me reconheço ainda mais,
neste que é meu próprio espelho
(espelho da minha alma e da tua).
Amigos eu distraio com um jornal de ontem
(que não inclui compreender este amor presente),
mas somente eles, não constroem meu sonho,
meu sonho quem constrói é você
(e ninguém o vai destruir),
este contínuo e belo sonho
(um belo caso de amor)
que trago nas mãos tremulas,
pintado com as tintas
e as purpurinas mais vermelhas
que a vida me oferece.
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NA TUA INTENÇÃO
para Nadia XII
, intenções lascivas fluem
no lado esquerdo do meu cérebro,
um esvaziar-se me consome a existência
que convulso meu corpo expele
como quem cospe dentro da noite.
Devorando-me as intenções,
observando o vácuo de desejo
que posteriormente me rasga e ninguém vê.
Celebrando o futuro que se encontra em ti.
Por todas as noites, por todo esse tempo,
também planto a fruta proibida, impunemente.
ou
DA BELEZA DE TEUS POSTAIS
para Nadia XIV
, tuas mãos,
mergulhadas profundamente nas chamas
(por toda parte)
indiscretas da paixão,
entregam-me à paisagem ocre
( e nas mãos de Deus Jeová).
“A quem se ama deve-se recompensas e vinhos”,
me dizes num sussurro.
No perfil branco do linho teu mistério de mulher
(que se banha),
bela mulher madura
“modesta mignon”
(meu amor terminal),
teu perfume
(essa tua identidade úmida)
doce (café),
combina perfeitamente com a
morenez fresca de tua pele.
Sei por que provei do teu corpo
e és igualmente doce.
( Ataif )
, nestes cartões recortados
(testemunhos atávicos da arte e do amor)
fundes sagrado e erótico. E ainda mais,
com naturalidade me dizes: “não há nenhuma hora
ou ordem nem o tecido venenoso do tempo, entre
o abraço,
o beijo,
a carícia.
Um risco de prego na parede,
uma Tamareira.
Marcas de dedos
(dedos que extraem os diversos sons
dos instrumentos de sopro e corda),
mãos que golpeiam a pele dum tambor
(atabaque).
Qualquer coisa pode ocorrer a qualquer hora
porque ao amor não importa
nem um estado de desejo
nem a ordem nem o tempo.”
Tipos inesquecíveis me apontas também,
Frida kahlo, Florbela, Picasso, Marilyn,
Lennon, Bacon, Gogh
(“La misère ne finira pas jamais”),
Retratos, à contra luz, da vida.
Capuccinos, calças novas de linho branco,
esculturas do Templo de Khajuhraho,
velas, biscoitos amanteigados
(de Aix-en-provence),
som de cavaquinho, sushi,
peignoir de seda
(um toque de classe),
lareiras e manuscritos
(cartas de amor?),
MONUMENTOS À POESIA.
MADRUGADA DE MUSSELINA
para Nadia IX
, não, eu não fabrico este carmim
( uso um lápis de cor)
para colorir teu corpo
(e dominá-lo, frente a este
amor: vaga em mim)
com a cor certa de toda coisa.
Você (solar) me abraça,
brinca comigo, me beija, me excita
teu sorriso
( como o de “Amanda”),
me ilumina todo.
Flui minhas/tuas fábulas de amor
(que, em breve, num gozo profundo
e dolorido como todo gozo,
desaparecerão como
bolhas de sabão,
mas sem aquela pompa)
Sim, bebemos do vinho do encanto
(um amabile bianco)
e , novamente,
em teu pedaço de madrugada
vestida de musselina:
as alucinações,
desejos ardentes,
palavras obscenas,
encorajam-me a tentar outra noite feliz
(feliz como a necessidade de velejar),
encorajam-me a tatear
este pequeno paraíso que me prenuncias,
fabricando APELOS ÚMIDOS SEM LIMITES.
Desta manhã, o que farei...?
NO BOSQUE DE MABIRA
para Nadia
, o azul do papel de seda
( da pipa de papel )
feriu o céu laranja dilacerado
de um fim de tarde,
é a vida fazendo seus rabiscos
(criptogramas)
na parede desta rocha rejeitada,
desta caverna líquida,
que trazemos na alma
( museu inolvidável do sentimento).
Mas você
AINDA POSSUI ESSE PODER
do vôo feliz
(vôo que legitima as gaivotas)
acima dos oceanos
(sempre à esquerda deste que vem
emprestar ao dia sua volubilidade e do
qual estás vestida: o sol),
acima das árvores e das folha das árvores
(“, e do cravo, e da rosa
debaixo de uma sacada, o que foi feito?”),
ESSE PODER QUE VEM DE EROS.
Embora, ainda, o pássaro de coração tirano,
pousado na borda da esfera, espreite
(ausência total de cor em seu presságio):
“Nunca mais! Nunca Mais!”
Nós o ignoraremos
e as águas de um outro outono boêmio
virão molhar nossos pés,
(fluirá nossa fábula de amor)
e beberemos novamente do vinho tinto
(um Bourgandelle)
do encantamento
e objetos mágicos deslizarão próximos a nós
no bosque de Mabira
em Uganda
(onde floresce a árvore do sexo),
FUGINDO VIRÁS A MIM.
DAS ONDAS O SEU AZUL
para Nadia I
realmente me livram por completo
dos meus sonhos e desejos
(contidos em frágeis barcos de papel),
mas minha alma de velho andarilho não pára.
Finalmente tinha começado enfim,
mas esta minha alma de velho andarilho
(mais sutil que louca)
prossegue seu itinerário.
Avanço muito mais saudável sem você, agora.
Porque às vezes você se excluía.
Mesmo ao meu lado,
você não mais me mantinha em equilíbrio,
não conseguia mais me aquecer,
e para mim, um dia sem “minha amiga”
era um dia na vida sem nenhum valor.
Como pássaros fáceis e gratuitos
você criava uma tal resistência que evitava
o som do passos na calçada
enquanto atravessa qualquer praça do mundo
(piazza dell'Urze, por exemplo).
Bem, terminava ali uma ilusão,
como cartas íntimas
terminam nos livros
e os livros nos joelhos.
E toda vez que as ondas adquirem esse azul,
realmente me livram por completo
dos sonhos e dos desejos
(contidos em frágeis castelos de cartas).
Mas minha alma de velho andarilho não pára.
ORAÇÃO (II)
para Nadia II
Você
minha Ninevah Garofano,
minha Virgem de Granada,
mostra- me
(eu menino)
a vertigem da flor do cravo,
que tenho necessidades de pássaros.
Madona del Garofano,
aqui estou eu em pé à sua frente,
um menino e seu manto azul
de tecido leve, transparente
e tempestades
e tempestades.
Amém!
“I CAN’T GET STARTED” *
para Nadia IV
e das estrelas,
como notas porosas do
contra-baixo de Mingus,
acima, nesta imensidão.
Sei que te lembras do mar
e das estradas que nele iam dar
e eu a falar-te
com voz baixa durante a noite
(e no coração também notas
em stacatto e porosas sussurrando
a sagrada canção da infinitude)
e teu corpo oscilando como o mar,
enquanto a noite devorava automóveis lá fora.
Hoje sabemos: o sol deste dia não é eterno,
não obstante, então, podíamos ver naquilo tudo sentido.
MINHA CALIGRAFIA É PÉSSIMA, NÃO TE DISSE...?
para Nadia V
da estrada deserta
(vento fresco),
uma luz trêmula ao longe. O bastante para me alegrar.
Lá, estava a entrada do que poderia ser o céu
ou poderia ser o inferno (pouco me importava).
Eu, um poeta (?), ferido em meu amor próprio,
no verso do lenço de papel, rabisco um verso,
outro e mais outro
(minha caligrafia é péssima),
versos ve(ne)nosos, dissolutos como só poderiam ser
os versos de um poeta (?) indigente.
Em seguida o faço em pedaços,
dilacerando talvez minha única oportunidade de entender este paraíso.
(Se ao menos tivesse anotado com cuidado...)
Mas, dos destroços da inocência não se constrói uma oração,
sei disso.
Ela lá, dançando todas as danças
( na ordem em que se lembrava ).
Dançando, como para esquecer dos segundos;
das surpresa; da vida;
dos álibis que temos
que lançar mão.
(Fios de um perfume doce e morno suspensos no ar
- poderia tocar neles se quisesse -,
perfume do melodrama),
Apenas uma oração eu conhecia então,
uma oração onde eram celebrados
os lugares ruins
por onde meu corpo,
tatuado em azul pela ausência, passou.
Lugares onde gemidos e loucura brotam das paredes,
decoradas com estrelas desonestas
de papel alumínio,
colinas tristes, emoções e incertezas.
Lugares que, de forma alguma, podem ser explicados,
onde eu um dia fui parar, mas,
o único lugar para um poeta (?) ferido em seu amor próprio.
Ela me põe encantando com:
a) sua face
b) e a música;
c) e o brilho úmido no telhado;
d) e a taça de espumante (rose) na mão.
“Todos nós só somos cativos de nossas próprias inabilidades.”
(tento explicar-lhe, ela sorri e prossegue dançando)
ela pode fazer tudo o que quiser por aqui,
mas sei: NUNCA PODERÁ IR COMIGO!
Desejei profundamente encher esta mulher
de jóias, poesia e gravidade
(todo o poder de Eros coagulado, em azul de metileno,
sobre estas folhas sem viço),
mas letras sobre um papel não resolvem desejos.
Ainda assim,
sobre o verso do lenço de papel verde
anoto aquela mentira
(minha caligrafia é péssima, não te disse...?):
“Poesia é um prazer a que os deuses da luxúria nos condenaram.”
Em seguida o faço em pedaços.
BLUES DO POETA DE RUA
para Nadia V I
(e desejo é a música da inocência)
saber para que lugar você
levou o fardo da tua existência
esta noite.
Provavelmente te encontras
num desses bares
barulhentos e enfumaçados,
(como eu...)
Que restou de nossas famílias?
Que prazeres nos trouxeram até aqui ?
O prazer efêmero de alguém sentado ao teu lado
por algumas horas, te ofertando a chama débil
da amizade na concha da mão?
Apenas esse o nosso proveito...?
Sei que você (como eu)
está lá, sentada e só,
passando os dedos delicadamente
na borda arredondada do teu copo
(e este já deve ser o quarto ou quinto...),
como quem acaricia a pele de um bebê,
sentindo o veludo sutil do vidro,
olhando para as cores desmaiadas
das vitrines do outro lado da rua
e pensando
(as imagens vindo a você como num sonho),
ou em Hopper
(o mais provável).
E o tempo, esse demônio dionisíaco,
de focinheira colorida,
perpetuando mistérios
e executando tempestades.
Você se pergunta como eu passo minhas noites,
eu podia te responder:
“ ... tomando vinho e escutando os ventos de outono! ”,
mas é mentira,
meus pensamentos em aflição
( e a aflição é a fortuna em forma de música e poesia)
permanecem com você.
A estética do poeta de rua
(que anda só):
sedativo contra ausências e tragédia.
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* ...este singelo poema é uma homenagem aquela que, por oito longos anos, vividos intensamente em todos os sentidos e aspectos (para o bem e para o mal, na dor e na alegria etc. etc.), foi minha colega, amiga, namorada, amante, resgatadora, esposa, confidente, inspiradora, instrutora, conselheira, incentivadora, interlocutora perspicaz, protetora, mãe, fada madrinha e bruxa-má, e ainda outras coisas das quais não sei, mas sei que dela proveio... O que é incrível é que durante todo esse tempo não escrevi nada para ela (simplesmente não era possível, estava com as mãos ocupadas**) a recíproca não é verdadeira, ela escreveu muita poesia para mim ( as tem guardadas por motivos óbvios ) entre elas um fantástica POESIA/TEOREMA chamado "A MÃO E O PEIXE", que ouvi maravilhado uma madrugada recitado por ela mesma a mim via telefone... Vejam vocês!
Agora dois anos e cinco meses depois de nos separarmos e nos separamos ainda nos amando ( em todos os sentidos e aspectos também) e eu ainda a amo, que fique claro - se não, como explicar a incessante troca de gentilezas e presentes por todo este tempo? - simplesmente ACONTECEU...
Poesia não existe sem revolta mesmo!
Estava te devendo isto, beijos vários!
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* * ...em aplaudi-la, é claro!
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ÀS 14:56: CONFISSÕES...
para Nadia XV
Quando te olhei nos olhos
numa tarde gloriosa,
teu olhar castanhos
estava vestido
de uma sombra remota,
de uma tristeza,
de uma melancolia,
um mistério
(que quando de óculos de sol
ampliava-se por todo teu belo
rosto anguloso)
que nenhum fado
poderia traduzir,
nenhum blues...
Traduzir-te
foi, a partir daí,
minha principal ocupação
tous les jours.
E quando você se foi
nunca mais ouvi blues
(arrumando a sala)
em nossa casa.
Um dia você me liga,
não sabia se vestia de mel
ou de verde iridescente
teu olhar.
Meu entusiasmo pelo verde
te contagiou e convenceu.
Hoje trazes o olhar banhado nessa luz
do dia
A SOMBRA REMOTA AINDA LÁ ESTÁ.
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